Alexitimia - alguém conhece? - parte I

Não é o nome de um medicamento, mas sim algo que para nós, com doença de Crohn, estamos familiarizados ainda que não o saibamos.
Há uns meses estava eu numa actuação e tive o prazer de encontrar um amigo - por sinal psicólogo (não, não sou psicólogo). Já não estacamos juntos há cerca de dois anos. Falamos durante um bocado e contei-lhe o que me tem vindo a acontecer. Ele disse que tinha já acompanhado várias pessoas com a doença e eu fiquei a pensar... porquê? Nunca senti necessidade do que quer que fosse. Falou-me, então, de um termo que, até então, desconhecia - alexitimia.

Alexitimia, de acordo com o autor que a descreveu originalmente (Sifneos, 1973) é uma constructo da personalidade que se caracteriza pela incompetência sub-clínica de  identificar e descrever emoções em si próprio.
Pareceu-me, desde logo, bizarro quanto a mim.

De acordo com outros autores pode ainda acrescentar-se:
  • Dificuldade em identificar sentimentos e fazer a distinção entre sentimentos e sensações corporais de excitação emocional
  • Dificuldade em descrever os sentimentos das outras pessoas
  • Processos de imaginação restritos, demonstrado pela escassez de fantasias

Há várias escalas para avaliar a alexitimia, mas talvez a mais conhecida seja a Escala de Alexitimia de Toronto de 20-itens. Como não sou psicólogo não me vou alongar, mas sei que há uma adaptação validada e publicada para português europeu - pode ser consultada aqui. Outras haverá, certamente.

Encontrei um site que permite a auto-avaliação baseada em itens de vários testes. Está em inglês. Fiz o questionário e a conclusão foi: 122 pontos - traços alexitímicos altos. Apesar de a maioria das áreas serem, de facto, altas, outra havia que não eram. Para quem souber inglês é engraçado preencher esse questionário.

Próximo post será sobre como eu me sinto na prática.


Referência:
Sifneos PE. The prevalence of 'alexithymic' characteristics in psychosomatic patients. Psychotherapy and psychosomatics, 22 (2):255-262, 1973

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