Revisão da terapêutica para as úlceras orais - parte III

Desta vez vou falar-vos da medicação que:
-Mais útil é,
-Mais trabalho dá encontrar,
-Mais trabalho dá ao aplicar.

Os analgésicos! Viva os analgésicos. Continuo em crise, pelo menos relativamente às aftas - têm surgido mais. Se há umas que, apesar de grande, não incomodam pela sua localização, outras há que são infernais.
Estar assim põe-me completamente irritado e intolerável socialmente - não suporto que me falem nem que me venham chatear a cabeça. Não gosto que me façam falar porque me DÓI!! Não gosto de comer porque me DÓI!! Este post é exactamente sobre isso - como diminuir ou fazer desaparecer a dor provocada pelas aftas ou úlceras orais. Não sou médico, mas vivo numa família de médicos - por isso, desde cedo me familiarizei com uma série de coisas à volta disto e, como disse, sou profissional da saúde o que me permite ter uma compreensão e forma de actuar diferente do comum dos mortais. A diferença entre a analgesia na cavidade oral e no resto do corpo (ex: tecido cutâneo) é a sua natureza de mucosa oral - ou seja, não é compatível com cremes ou pomadas com lidocaína, essas sim fáceis de arranjar.
Quando digo que deixo de comer e de fazer uma série de coisas porque tenho a boca assim é mesmo verdade! Esta foi a razão para a primeira toma de corticóides. Por falar em corticóides: se tomar num dia, ao outro não tenho nada - obviamente dependendo da dosagem. Perguntam vocês: porque é que este parvo, sabendo isto, não toma corticóide sempre. Eu respondo - parvo é quem fizer isso porque a toma continuada ou por longos períodos é completamente proibida dados os seus efeitos secundários.
Não confundamos analgesia com anestesia - vão ver à wikipédia o que é analgesia.

A aplicação dos medicamentos que eu vou apresentar deve ser bastante cuidadosa. Devemos ter consciência que realmente diminui a sensibilidade. Assim, se a aplicação for em demasia ou em zonas em que não é suposto, podemos trincar-nos! Mais perigoso e mesmo perigoso é: o medicamento, sem querer, ir para a faringe, base da língua, etc, e diminuir a sensibilidade dessas estruturas. O resultado é muito simples: se formos comer logo a seguir (algo que faço com frequência) o alimento vai para as vias aéreas. Sim, já me aconteceu, sobretudo com líquidos.
Este cuidado deve ser ainda mais especial com os sprays. Normalmente uso-os para aceder com o seu aplicador a zonas a que o gel não acede (ex: zona das amígdalas, partes de trás da língua, etc). Facilmente o spray irá atingir directamente para a orofaringe.

Aqui estão os medicamentos que fazem parte da minha actual farmácia, com uma análise mais aprofundada sobre cada um.

VENCEDOR: Lidonostrum; Hurricaine gel
  1. Xilocaína a 2% em gel - este medicamento tem de ser aplicado em gel obrigatoriamente. Os primeiros dois tubos de xilocaína que tive eram da AstraZeneca - era barato e grande. Deixou de ser fabricado e "deixou" de haver substituto - pelo menos em venda ao público. Tentei arranjar através da clínica de uma amiga dentista e também não arranjei. Este gel era, sobretudo, utilizado pelos algaliados para lubrificar e diminuir a dor ao introduzir a algália - e agora como farão eles?? Coitadinhos. Encontrei, finalmente, um manipulado da Farmácia dos Clérigos (nome que se dá aos medicamentos feitos à mão em farmácias) - este, para além de ser bem caro, tem uma actuação fraquinha - não gostei.
  2. Lidonostrum - lidocaína em gel a 2% (7,25€) - depois de receber a triste notícia sobre a saída da xilocaína do mercado, decidi ir a Espanha procurar por um substituto - o resultado são os que medicamentos que encontrei a seguir. Na tarde em que voltei para Portugal decidi ir à internet e fazer o trabalho de casa - que nenhum farmacêutico nem médico fez por mim (não é nenhuma crítica). Encontrei, depois de algum dinheiro e insucesso na ida a Espanha, um laboratório em Portugal a comercializar este produto. Telefonei para a Sidefarma e fui muito bem atendido - a solução, fácil, passou apenas por encomendar na farmácia do costume. É bom e tenho usado.
  3. Lidocaína em gel a 5% ou 20% - não é comercializado nas farmácias. O meu dentista, que tem consultório num hospital, diz que me vai arranjar os dois. Pela concentração ser maior o efeito é igualmente mais intenso e duradouro. A sua aplicação deve também ser mais cuidadosa para evitar diminuir a sensibilidade de outras áreas da cavidade oral.
  4. Dentispray - benzocaína (9€) - este spray é idêntico ao seguinte, sendo que este tem um sabor pior. Estes sprays têm aplicadores. Também terminam rapidamente, pelo que são bastante caros para o uso que lhes dou. Uso sobretudo para as zonas de trás da boca.
  5. Hurricaine Spray - benzocaína (Espanha) - o preço e a descrição é semelhante ao anterior.
  6. Hurricaine gel - benzocaína a 20% (Espanha) - o preço suponho que também é 9€, ou por aí. É uma bisnaga bem pequena. Não adere muito bem à mucosa, pelo que se desperdiça alguma quantidade. Como tem 20% utilizo quando a lidocaína gel 2% não é suficiente, como é o caso de hoje com esta porcaria de afta na língua.
Boa noite Crohnianos.

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